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Além de observarmos o que se passa no mercado português, estamos também atentos à evolução da construção em aço em outros países. Se nos visita a partir do Brasil, recomendamos a visita ao Portal Met@lica onde encontrará as respostas às questões relacionadas com a construção metálica em geral. Nas próximas linhas apresentamos uma consideração do potencial do Light Steel Framing no Brasil, segundo o que constatámos lendo alguns jornais, revistas e sites brasileiros. Conforme se verificará, a indústria brasileira do aço beneficia agora de ventos favoráveis que, sem dúvida, irão contribuir para a implantação definitiva das estruturas em aço pesado e em aço galvanizado leve no nosso país irmão. O interesse da banca nas estruturas metálicas No Brasil, a instituição financeira equivalente à portuguesa Caixa Geral de Depósitos é a Caixa Económica Federal (CEF). Fundada em 12 de Janeiro de 1861, na cidade do Rio de Janeiro, pelo Imperador Dom Pedro II, a Caixa tinha como missão conceder empréstimos e incentivar a poupança popular. Em 1986, a Caixa transformou-se na maior agência de desenvolvimento social da América Latina, tornando-se o órgão-chave na execução das políticas de desenvolvimento urbano, habitação e saneamento. Com uma carteira imobiliária de 1,3 milhões de contratos, estimada em mais de 15 biliões de euros, a CEF detém 50% do total de financiamentos do país, sendo responsável por 95% daqueles destinados à população de baixa renda. Ao longo da sua história, são mais de cinco milhões de moradias financiadas, beneficiando cerca de 20 milhões de pessoas. Este gigante económico tem vindo a mudar a sua postura no financiamento de moradias o que deverá permitir um ganho de participação de mercado, principalmente dos fabricantes de chapa de aço, na construção residencial, área hoje dominada totalmente pelo betão. A medida pode ajudar as siderúrgicas a corrigir uma negligência histórica das suas vendas, já que a sua participação na construção de casas e andares é insignificante. A estratégia de empresas como Usiminas, Cosipa, Açominas, Companhia. Siderúrgica Nacional, Gerdau e Acesita é aproveitar a disposição anunciada pelo novo governo brasileiro, de investir em habitação social, para ganhar mercado neste segmento com novos produtos. Nos últimos anos, a CEF não tinha uma norma que regulamentasse obras em aço, o que tornava extremamente difícil a aprovação de financiamentos para esse tipo de construção. O banco formou então uma parceria com o Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS) e um grupo de construtoras para estudar o assunto. O resultado foi um manual estipulando requisitos e critérios mínimos que deveriam ser atendidos para que uma obra em aço pudesse ser financiada pela CEF. A primeira parte do trabalho ficou pronta no fim de Junho de 2002, orientando as construtoras sobre os requisitos que devem ser cumpridos para construções com estruturas em aço e fechadas com paredes de alvenaria. Os financiamentos da CEF poderão, enfim, ajudar as transformadoras de aço a entrar no mercado residencial. "Nos Estados Unidos da América as siderúrgicas sempre estiveram interessadas na construção, enquanto no Brasil elas se concentraram na área industrial, como o sector automóvel, e a área residencial ficou em segundo plano", diz Heuler de Almeida, gerente de marketing de construção civil da Companhia Siderúrgica Nacional. Ao contrário do que acontece em Portugal, uma das principais instituições financeiras do Brasil manifesta grande interesse em promover a construção metálica. A isso não será alheio o facto de cada vez ser mais verdadeiro o axioma: tempo é dinheiro. Edifícios construídos em menos tempo adiantam os prazos de pagamento de empréstimos concedidos. O interesse das grande empresas siderúrgicas Enquanto na maioria dos países o aço é responsável por mais de 50% das construções residenciais - na Inglaterra ultrapassa os 70% - no Brasil os fabricantes e transformadores de chapa de aço têm uma participação inferior a 1% neste mercado. As vendas no sector resumem-se a produtos de baixo valor, como o ferro utilizado nas estruturas de betão. A forma que as siderúrgicas estão a encontrar para correr atrás do tempo perdido é investir em produtos de maior valor. As iniciativas vão desde componentes, como telhas e perfis, até kits prontos para montagem de casas e projectos de prédios de vários andares. O maior cartão de visita das siderúrgicas até o momento, para o segmento residencial, está na Zona Leste de São Paulo, onde a Usiminas e a Cosipa desenvolveram um projecto de apartamentos sociais que ganhou o concurso lançado pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU). A CDHU é uma empresa do Governo Estadual, vinculada à Secretaria da Habitação, e é o maior Agente Promotor de habitação social no Brasil. Tem por finalidade executar programas habitacionais em todo o território do Estado de São Paulo, voltados para o atendimento exclusivo da população de menores recursos, com rendimentos na faixa de 1 a 10 salários mínimos. Além de produzir moradias, a CDHU também intervém no desenvolvimento urbano das cidades, de acordo com as directrizes da Secretaria da Habitação. Para a Zona Leste de São Paulo, a terceira maior cidade do mundo, a CDHU está a coordenar a construção de quase 8 mil fogos, ao preço de R$ 9.700,00 (cerca de 3.200 euros) cada, sem acabamentos, construídos por um grupo de construtoras com base no projecto daquelas siderúrgicas. "Estamos desenvolvendo tecnologias que podem ser uma solução para o problema da falta de habitação", afirmou Rinaldo Campos Soares, director-presidente da Usiminas. Segundo aquele executivo, a companhia pretende dobrar em cinco anos a participação de 5% que a construção predial tem hoje no seu negócio, o que significa uma facturação de R$ 200 milhões (mais de 65 milhões de euros). Este projecto do CDHU ainda é um começo pequeno, já que vai consumir apenas 4 mil toneladas de aço. Pouco, perto da produção total de cerca de 4 milhões de toneladas da companhia. Estima-se em 6,6 milhões de fogos o deficit habitacional do país. Em vista disso, o Governo Lula anunciou que a área da habitação é uma das suas prioridades. O aço apresenta-se como a solução mais rápida para o problema, já que, em média, este sistema construtivo é 50% mais rápido que obras em betão armado. E este Governo já afirmou que não pretende esperar. Segundo a CDHU, outra vantagem do aço é a redução do desperdício. Com este tipo de estrutura, os estaleiros de obras passam a ser linhas de montagem, na medida em que todo o material utilizado chega pré-montado ao local, bastando realizar o encaixe, aparafusamento e soldagem. O aço permite ainda estruturas arquitectónicas mais leves, com vigas e colunas bem menores do que as construídas em betão. Isso proporciona um ganho de espaço (que pode ser utilizado para garagens) e economia nos alicerces dos prédios. Estratégias para ganhar mercado Mas ganhar mercado não vai ser tão fácil, pois os fabricantes de cimento não se vão entregar facilmente. No entanto, o sector siderúrgico contrapõe referindo as vantagens que o betão dificilmente poderá combater, tal como o menor prazo de execução. São quase duas centenas de edifícios e cada prédio fica pronto em três meses, metade do prazo do sistema tradicional. Cada pavimento dos edifícios de cinco andares tem 40 apartamentos com área útil de 46 metros quadrados, com sala, cozinha, dois quartos, uma casa de banho e área de circulação. Os edifícios de sete pavimentos têm 28 apartamentos de 48 metros quadrados cada. Segundo o director de obras, Edward Zeppo, uma das maiores vantagens é que "o processo de construção é muito mais rápido". Mas o principal resultado é o custo final da obra, pois a rapidez gera economia. Além disso, há o efeito social, pois com o enorme deficit habitacional, o atendimento aos inscritos nas cooperativas para novas moradias poderá ser feito com maior agilidade. E isto agrada particularmente aos políticos, cuja necessidade de votos não se compadece com obras a longo prazo. A aposta das empresas siderúrgicas A Usiminas, empresa siderúrgica fundada em 1956 no Estado de Minas Gerais, além de autora dos projectos, fornece também o aço empregue na estrutura daqueles apartamentos, bem como dos perfis usados nas divisórias em gesso cartonado. A este conjunto, projectos e fornecimento de aço para a estrutura, a empresa deu o nome de Programa Usiteto, uma alternativa económica, simples e rápida para a construção de habitação social. Além dos prédios de apartamentos que já atrás mencionámos, aquela empresa também oferece projectos para uma pequena moradia, com estrutura em perfis de aço resistentes à corrosão atmosférica, tornando a construção mais simples, rápida e, consequentemente, mais barata. Outra vantagem deste sistema é que a casa pode ser construída em módulos. Assim, o núcleo inicial é formado por um quarto, cozinha e casa de banho. A primeira expansão acrescenta uma sala e, a segunda, um outro quarto. Quando completa, temos pronta e acabada uma residência de 36 m2, construída com materiais de primeira qualidade e feita para durar. O peso total da estrutura, por módulo, é de 580 kg, e é fornecida junto com parafusos, pronta para montagem, com manual do processo construtivo, projectos de arquitectura e especialidades, instalações eléctrica e hidráulica e planos detalhados para os acabamentos. A estrutura do módulo padrão é montada em menos de três horas, utilizando duas pessoas. Para o acabamento exterior da estrutura podem ser utilizadas alvenarias convencionais de blocos de cimento, tijolo, além de placas e painéis industrializados. Desta forma, a empresa vende cerca de 600 Kg de aço perfilado em cada moradia. Agora multiplique isso por dezenas de milhares de unidades. Outros mercados No entanto, o Light Steel Framing também atrai interessados entre o mercado de moradias de luxo. É justamente nas residências de alto padrão que a Cosipa aposta. Por sua vez, a Gerdau desenvolveu um kit a que chamou Casa Fácil, uma residência de 24 m2, 36 m2 ou 48 m2. A construção fica pronta até 21 dias com telhado, paredes e acabamentos. O produto está voltado principalmente para atender à população com renda de até cinco salários mínimos e pode ser adquirida por meio do financiamento da Caixa Económica Federal através das diversas linhas de financiamento. No entanto, esta empresa também está atenta ao mercado dos clientes com mais recursos. Se o cliente trouxer o projecto, a companhia oferece um kit pronto com o aço que será necessário para a construção. "A estrutura é vendida toda pronta, o consumidor leva o projecto ao ponto de distribuição e nós fazemos o kit", diz Domingos Somma, vice-presidente executivo da Gerdau. Boas notícias para o mercado da construção civil Em 8 de Abril, durante a inauguração da Feicon - Feira Internacional da Indústria da Construção 2003, o Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, anunciou que o Governo Federal disponibilizará a verba de R$ 1,4 bilião (mais de 450 milhões de euros) para financiamentos no sector da construção civil e especialmente para a habitação social. Reagindo a estas notícias, muitas empresas do ramo metalúrgico e da construção civil passaram a estabelecer parcerias. Por exemplo, doze indústrias, grandes e pequenas, uniram-se para criar um novo sistema que possibilita a construção completa de uma habitação de 46 metros quadrados em 10 dias por R$ 14 mil (cerca de 4.600 euros), 40% mais barata que a tradicional. Apresentado durante a Feicon que, segundo os organizadores, é considerada o maior evento do sector da construção civil no hemisfério sul, este projecto atraiu imediatamente 800 compradores, entre particulares e cooperativas habitacionais, e 4 mil intenções de negócios por parte de prefeituras (municípios) e construtoras, segundo João Cortez dos Santos, director comercial da Kofar, indústria que idealizou o projecto. Além da estrutura de aço, a casa com dois quartos, conta com acabamento externo em argamassa ou chapas cimentícias, revestimento interno em gesso cartonado e isolamento acústico e térmico. A casa completa é entregue, além da estrutura metálica, com azulejos para a cozinha e casa de banho, louças sanitárias, pinturas, piso cerâmico ou vinílico, portas de madeira e janelas com caixilharia em aço. Com esse sistema, a Kofar já prevê um crescimento de 20% na facturação para este ano, ante o registrado em 2002, de R$ 18 milhões (cerca de 6 milhões de euros). A produção mensal de 10 mil toneladas de aço por mês também deverá ser aumentada, de acordo com o director comercial da indústria. Há 20 anos no mercado, a empresa fabrica, na área da construção civil, perfis metálicos, telhas metálicas e revestimentos de fachada. A Isover, empresa do grupo Saint Gobain, e a Placo serão responsáveis pelo revestimento interno e externo desta casa popular. “É um segmento novo e próspero para a empresa em função do grande deficit habitacional do País”, afirma o director Carlos Carrey. Já para a Placo, que fabrica gesso cartonado, a construção de casas sociais poderá estimular a produção, que hoje está ociosa. A indústria, sediada em Mogi das Cruzes, tem capacidade de produzir 12 milhões de metros quadrados de gesso cartonado por ano, utilizadas para execução de paredes interiores, tectos e revestimentos, segundo o gerente comercial Nilton Luiz Antonialli. Apostas a médio e longo prazo As grandes empresas metalúrgicas brasileiras estão também interessadas em formar e informar. Para o arquitecto da Cosipa, Roberto Inaba, nos currículos das faculdades de engenharia e arquitectura ainda se enfatiza o uso do betão, ficando a estrutura em aço limitada a aplicações como armazéns e coberturas. No entanto, este panorama poderá começar a mudar com o apoio do Centro Empresarial do Aço (CEA), onde estão localizados os escritórios da Cosipa e da Usiminas. "O CEA é considerado um verdadeiro show room da estrutura metálica que, com os seus 70.000m2 de área construída é hoje o maior edifício em aço da América Latina" explica o Arqº Inaba. Algumas considerações finais Conforme verificamos, a evolução do Light Steel Framing no Brasil segue o mesmo percurso percorrido em outras regiões do globo. Aquilo que se comprova, é que são as grandes empresas siderúrgicas e de transformação do aço que dão os passos iniciais para a implantação do sistema nos seus respectivos países. Isso acontece porque estas empresas estão bem apercebidas do enorme potencial contido no mercado da construção civil. No continente americano e no extremo oriente, siderurgias como a USS-Posco e a Bethlehem Steel, junto com diversas empresas transformadoras de aço, lideraram o processo de divulgar e padronizar o Light Steel Framing assumindo as despesas da competição com a indústria madeireira. Na Europa, aconteceu algo semelhante no Reino Unido, sob os comandos da British Steel, hoje Grupo Corus, na Escandinávia sob o patrocínio da finlandesa Rautaruukki e na França com o apoio da Usinor, hoje parte do Grupo Arcelor Mittal. Estes gigantes metalúrgicos conduzem o mercado atraindo as empresas financeiras e seguradoras, implantando definitivamente o aço como um dos principais elementos de construção no mercado residencial. E tudo indica que o aço virá a ocupar, a curto prazo, o primeiro lugar neste gigantesco mercado. | ||
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