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No dia 22 de Setembro de 2003, o Jornal de Negócios publicou um excelente artigo assinado pela jornalista Lúcia Crespo, ilustrado com algumas fotos, destacando a evolução do LSF em Portugal e no Mundo.

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Abaixo transcrevemos o texto do artigo:


 

Uma cooperativa decidiu empreender uma urbanização em Chão Duro, na Moita. As casas são geminadas, iguais e custam o mesmo. E então? Umas são construídas com tijolos e betão e outras são de aço galvanizado, estas últimas erigidas segundo um processo conhecido por Light Steel Framing. As primeiras demoram mais tempo a erguer, as segundas alegam maior conforto e ecologia. Alguns clientes que tinham optado pela construção dita normal, pediram para mudarem para as de material inovador. Uma guerra de matérias-primas promete aquecer a indústria construtora em Portugal. A torcer pelas novatas está a Futureng, uma empresa fundada em 2001 que executa projectos de engenharia civil para estruturas LSF.

Aço. Sugere imagens de material pesado e é normalmente associado a pontes e arranha-céus. Mas, de acordo com João Santos, da Futureng, o aço galvanizado é leve, estável, fácil de manusear e 100% reciclável. Dirigido ao mercado de construção residencial, já ergueu dezenas de moradias portuguesas. Concebe a estrutura do edifício ou é usado na reestruturação do mesmo. O Hotel Garbe, em Armação de Pêra, é um exemplo. As obras de ampliação consistiram na construção de um novo piso. Também algumas lojas do Centro Comercial Olivais, em Lisboa, escolheram a estrutura LSF para remodelarem os seus interiores.

“O aço prova ser a melhor opção para quando se pretende remodelar um edifício sem colocar pesos excessivos sobre estruturas já existentes”, argumenta João Santos. “Outra área com vantagens mas mal explorada é a recuperação de imóveis antigos, tal como a substituição de telhados”, acrescenta. Imagine a vantagem de estruturas fortes mas leves, sem massas húmidas, a aplicar em tantos edifícios degradados nas nossas grandes cidades. E a topografia de Lisboa ou Porto exige materiais fáceis de transportar, descarregar e elevar…”, conclui.

Milhares de emigrantes conheceram as casas em aço em países como Estados Unidos e Canadá, gostaram e quiseram importar o modelo para Portugal. Chegaram e tornaram-se clientes ou mesmo construtores. Foi em 1994 que começaram a aparecer empresas de dimensões pequenas como a Steel, a Gestedi, a Globalaço, a GSN e a NCB. “Foi curioso. A nossa siderurgia é inexistente. Foram algumas empresas construtoras, quase de dimensões familiares, que se adiantaram querendo fazer o trabalho de gigantes. Daí que o Light Steel Framing ainda seja encarado como uma mera curiosidade por alguns e uma aberração por outros. As grandes construtoras ainda continuam adormecidas e as instituições financeiras e governamentais ignoram o sistema construtivo”, alega João Santos.

A construção com estrutura em aço leve deu um salto exponencial a partir da década de 1990 nos Estados Unidos e na Europa do Norte, onde as estruturas de madeira são muito comuns. Atendendo às recentes preocupações ecológicas, em especial a desflorestação, vários construtores encararam o aço galvanizado como uma boa alternativa. Com o interesse dos grandes grupos siderúrgicos, o aço passou a estar disponível como elemento construtivo para pequenas residências nos EUA, onde os representantes do sector pretendem atingir os 10% do mercado até 2005.

LSF contra madeira. No continente americano e no Extremo-Oriente, siderurgias como a USS-Posco e a Bethlehem Steel lideraram o processo de divulgar e padronizar o Light Steel Framing assumindo as despesas de competição com a indústria madeireira. Na Europa aconteceu algo semelhante. No Reino Unido, sob os comandos da British Steel, na Escandinávia sob o patrocínio da finlandesa Rautaruukki e em França com o apoio da Usinor, que faz parte do grupo Arcelor. No Brasil, são as empresas como a Usiminas, Cosipa e Companhia Siderúrgica Nacional, entre outras.

 

CAIXA

As vantagens apontadas na construção de casas em LSF

Segundo João Santos, muitas são as mais-valias da matéria-prima. “A construção convencional é desconfortável, muito quente no Verão, muito fria no Inverno. Rapidamente apresentam fissuras nas fachadas e infiltrações que originam o surgimento de bolores e fungos”, afirma. “Como é possível que num país com temperatura amena tenhamos de suportar casas que são autênticos frigoríficos no Inverno? Ou, vivendo nós na iminência de um sismo de grandes proporções, continuemos a utilizar o tijolo ou betão?

Por dentro, a habitação é revestida com materiais como gesso cartonado. Para garantir o conforto térmico e acústico, utiliza-se a lã de rocha e o poliestireno. Por fora, uma vez que se utilizam as mesmas carpintarias, telhas e pavimentos, é impossível distinguir uma moradia em aço de uma sob o método convencional. “Os materiais empregues no interior são realmente mais caros. Mas a rapidez de construção permite obter preços semelhantes aos da construção tradicional, que oscilam entre os 500 e os 700 euros por metro quadrado”, afirma.

 

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